Header Ad

Categories

Most Popular

Vale, CMOC, Metso e Hydro mostraram que dados acionáveis ampliam eficiência e previsibilidade na mineração 

A mineração já dispõe de um grande volume de dados gerados por sensores, equipamentos de lavra, sistemas de automação e processos industriais. O desafio agora é transformar esses registros em informações contextualizadas, confiáveis e acionáveis, capazes de orientar decisões e produzir resultados operacionais e financeiros. Essa foi a linha comum dos casos apresentados pela Metso e pelas mineradoras Vale, Hydro e CMOC durante o Aveva Day Brasil 2026..

O evento reuniu especialistas, clientes e parceiros da AVEVA, especialista global em software industrial, para discutir como a inteligência industrial pode ajudar as empresas a extraírem mais valor dos dados que já possuem. No setor mineral, as aplicações apresentadas abrangeram da manutenção prescritiva de equipamentos – evitando desde paradas não programadas a interrupção na produção – à rastreabilidade do minério entre a mina e a usina para garantir a precisão e qualidade da matéria-prima, antecipar variações e atuar de maneira mais proativa no controle do processo, passando pelo monitoramento da infraestrutura de automação para antecipar riscos e atuar preventivamente até a gestão da produção orientada por indicadores automatizados e auditáveis, com o objetivo de identificar e controlar variáveis que podem influenciar no efetivamente no processo produtivo.

“Na mineração, coletar e armazenar dados é apenas o início. O valor para o negócio surge quando esses registros são contextualizados e integrados ao conhecimento sobre os ativos e aos processos, e são disponibilizados às equipes no momento em que uma decisão precisa ser tomada”, avalia Cláudio Muller, diretor de Vendas da AVEVA no Brasil, ao destacar que os casos apresentados mostram como essa transformação pode ampliar a confiabilidade, a previsibilidade e a eficiência das operações.

Do sinal de campo à decisão de manutenção

A Metso, fornecedora global de tecnologias, soluções e serviços para os setores de agregados, processamento de minerais e refino de metais, apresentou a jornada percorrida por um dado desde sua geração nos sensores e sistemas de controle até sua conversão em uma recomendação incorporada ao planejamento da manutenção.

A solução combina o AVEVA CONNECT, a plataforma de análise Metso Metrics e o conhecimento técnico dos especialistas dos Performance Centers da companhia. Em vez de instalar mais sensores, a empresa decidiu aproveitar os sinais já disponíveis nos sistemas de controle, conectá-los de forma contínua e acrescentar o contexto do processo, o histórico do ativo, os modelos analíticos e o conhecimento de engenharia.

Em um caso envolvendo três britadores primários, o monitoramento integrado identificou 35 eventos preditivos, dos quais 33 foram encerrados com uma decisão técnica. Segundo os resultados apresentados, a atuação antecipada evitou mais de 400 horas potenciais de indisponibilidade e preservou mais de 225 mil toneladas de produção, gerando US$ 15,4 milhões em valor para a operação entre agosto de 2025 e maio de 2026.

“Um dado isolado de vibração ou temperatura não é suficiente para definir o estado de um equipamento. A mudança acontece quando esse sinal recebe o contexto do processo, é analisado com conhecimento de engenharia e se transforma em uma recomendação técnica priorizada, que pode ser incorporada ao planejamento da manutenção”, afirma Marcelo Concha Aguirre, Senior Manager, Customer Projects & TSS da Metso.

Rastreabilidade e controle da mina à usina

Na Vale, o desafio era ampliar a rastreabilidade da qualidade do minério Run-of-Mine (ROM), integrar as informações da mina e da usina e reduzir a fragmentação dos dados utilizados na tomada de decisão. Para isso, a companhia estruturou uma solução que associa informações do modelo geológico aos ciclos de movimentação dos caminhões e as disponibiliza em seu sistema de gerenciamento de informações de processo, baseado no AVEVA PI System.

A solução permite acompanhar, em tempo real, dados como massa, teor, granulometria e características geometalúrgicas do minério destinado à britagem. Um digital shadow desenvolvido no AVEVA PI Vision também passou a apoiar a gestão das pilhas de homogeneização, reunindo dados operacionais e laboratoriais para acompanhar sua formação e retomada.

Com a iniciativa, informações antes distribuídas entre planilhas, sistemas e controles específicos passaram a ser integradas e contextualizadas. Entre os resultados apresentados pela Vale estão a redução de duas horas diárias dedicadas à atualização de planilhas, a disponibilização das informações para três novas equipes e o aumento da granularidade do acompanhamento, que passou de intervalos de 12 horas para uma hora. A solução também permitiu demonstrar uma redução média da variabilidade acompanhada na homogeneização de 3% para 0,5%.

“A integração entre a mina e a usina trouxe visibilidade para um fluxo de informações que anteriormente dependia de diferentes sistemas e consolidações manuais. Agora, as equipes conseguem acompanhar com maior precisão a massa e a qualidade do minério que chegarão à usina, antecipar variações e atuar de maneira mais proativa no controle do processo”, pontua Guilherme Bretz, IT Project & Product Manager da Vale.

Monitoramento preventivo da infraestrutura de automação

A Hydro apresentou a digitalização do monitoramento da arquitetura de automação da refinaria Alunorte, no Pará. Considerada uma das maiores estruturas de automação industrial do Brasil, ela reúne cerca de 7 mil instrumentos, mais de 4 mil motores, 75 subestações e aproximadamente 60 mil pontos dinâmicos.

Anteriormente, determinadas falhas podiam ser identificadas somente durante inspeções trimestrais ou depois de provocarem impactos em equipamentos e linhas de produção. Além disso, a investigação da origem de um problema podia levar aproximadamente uma hora, diante da necessidade de percorrer diferentes níveis da arquitetura até localizar o ativo afetado.

Com a migração da arquitetura registrada em documentos físicos para o AVEVA PI System, foram modelados aproximadamente 5 mil elementos e atributos, e desenvolvidas lógicas para monitorar os ativos continuamente. A solução também possibilitou a abertura automática de eventos e o envio de alertas por e-mail, Microsoft Teams e interfaces do AVEVA PI Vision.

Com isso, a Hydro conseguiu reduzir o tempo inicial de investigação das falhas em 95%. Os eventos passaram a ser detectados em cerca de 30 segundos, enquanto o diagnóstico, que anteriormente podia demandar aproximadamente uma hora, passou a ser realizado em um intervalo entre um e três minutos. A plataforma também centralizou o registro e a classificação dos eventos e apoiou o acompanhamento de indicadores como disponibilidade física, tempo médio entre falhas e tempo médio de reparo. Em 2024, a disponibilidade histórica dos ativos de automação alcançou 99,93%.

“Uma arquitetura conectada e monitorada em tempo real permite antecipar riscos e atuar preventivamente. Hoje, o AVEVA PI System funciona como uma bússola para a refinaria, apoiando o monitoramento dos ativos e a tomada de decisões”, afirma Edson de Oliveira Junior, engenheiro de Automação e Sistemas da Hydro Alunorte.

Da gestão por planilhas à operação orientada por dados

A CMOC, uma das maiores produtoras mundiais de cobre e nióbio e a segunda maior produtora de fertilizantes fosfatados do Brasil, mostrou como o AVEVA Production Management apoiou a substituição de um processo descentralizado, baseado em planilhas, por um sistema de gestão industrial com informações automatizadas, confiáveis e auditáveis.

A companhia digitalizou o Gerenciamento da Rotina Diária na produção da liga de ferronióbio e estruturou o monitoramento das principais variáveis do processo. A análise dos dados permitiu identificar uma correlação entre o excesso de alumínio e a recuperação do nióbio. A partir desse conhecimento, a variável passou a ser acompanhada e controlada de maneira sistemática, apoiando a maximização da recuperação mineral e decisões operacionais mais rápidas e assertivas.

“A evolução não veio simplesmente da disponibilidade de mais dados, mas da capacidade de identificar a variável que efetivamente influenciava o resultado e mantê-la sob controle. Com isso, substituímos um processo baseado principalmente na experiência por uma gestão industrial orientada por informações confiáveis”, detalha Vinicius Elias de Godoy, gerente adjunto de Operações Metalúrgicas da CMOC Brasil.

Para Cláudio Muller, diretor de Vendas da AVEVA no Brasil, embora tenham partido de desafios diferentes, os quatro casos demonstram que a geração de valor não depende apenas da quantidade de dados disponível. “O avanço ocorre quando as empresas conseguem conectar diferentes fontes, contextualizar os registros de acordo com os ativos e processos e converter essas informações em ações para as equipes de operação, manutenção e gestão.”